sábado, 8 de agosto de 2015

La Belle Saison Filme conta história de amor entre duas jovens francesas



A cineasta francesa Catherine Corsini trouxe para o Festival de Locarno o filme La Belle Saison, contando a história de amor entre duas jovens, uma citadina e outra interiorana, numa época em que o lesbianismo não era bem aceito nem em Paris e muito menos no interior da França.



Eram os anos 70, a juventude vivia a revolução sexual detonada pela pílula anticoncepcional, reforçada, na França, pela legalização do aborto. Cerca de vinte anos depois, essa liberalização dos costumes enfrentaria uma freagem com o surgimento do virus da Aids.



Porém, paralelamente às conquistas do movimento feminista surgiam as novas reivindicações dos homossexuais femininos e masculinos que levariam à possibilidade dos casais homossexuais terem suas relações estáveis legalmente reconhecidas, com os Pactos ou Contratos. E, recentemente a França, assim como diversos países ocidentais, inclusive os EUA, reconheceram o casamento entre os homossexuais, conquista na França, obtida pelo movimento Casamento para Todos.



Entretanto, esse reconhecimento não existe na maioria dos países, por pressões religiosas de diversas crenças. Faz apenas duas semanas, um bispo conservador católico suíço ganhou as manchetes ao citar passagens do livro de Levíticos da Bíblia, no qual a lei mosáica fala na punicão com a morte para quem sai da regra homem com mulher ou mulher com homem na relação sexual.



Diversas associações estão processando o bispo por propósitos homofóbicos, mas, na verdade, uma punição do bispo não será totalmente justa. O bispo citou a Bíblia exatamente como os pregadores evangélicos fazem na sua cruzada homofóbica, da mesma maneira como imãs e aiatolás citam o Corão. De onde se pode concluir, serem a Bíblia e o Corão livros homofóbicos. Esse um desafio para as sociedades laicas resolverem no futuro, já que as crenças religiosas judaíco-cristãs-muçulmanas condenam o homossexualismo, de forma cruel, enrustidaa ou franca como o bispo católico suíço.





Da esquerda para á direita:Laetitia Dorch (atriz), Elizabeth Perez (produtora), Catherine Corsini (diretora) e Cécile de France (atriz) 




No seu encontro com a crítica, a cineasta Corsini lembrou que assumir ser lésbica nos anos 70 implicava num tipo de coragem, diante dos homens que estigmatizavam mulher que não aceitasse seus avanços, e nas sociedades rurais que viam (e muitas ainda vêem) como depravação ou coisa do diabo a relação sexual de mulher com mulher.



O filme La Belle Saison começa na Paris, nos anos 70, dos carros Citroen 2CV, quando duas militantes ativistas feministas se sentem atraídas e acabam se apaixonando. Um derrame do pai pecuarista no interior, provoca a separação inesperada das duas e, incapaz de suportar a ausência de sua companheira, a citadina abandona Paris e vai tentar viver com a amiga, participando ativamente das atividades agrícolas e pecuárias.


Entretanto, essa situação se torna intolerável naquela cidade interiorana. Ainda não era o momento para as lésbicas poderem viver normalmente sua vida cotidiana.



Só na sociedade grega pagã era aceito o homossexualismo masculino ou feminino, numa clima de grande liberdade. A cristianização do império romano colocou os homossexuais no pecado e no delito e, no século V, Maomé também proibiu com rigor o homossexualismo entre os árabes. Na Idade Média cristã, as próprias relações heterossexuais acabariam sendo sujeitas ao rigorismo da Igreja, que acabou com os banhos públicos e criou a exigência da virgindade feminina.



O filme não conta isso, debatido na entrevista com a crítica, mas mostra com franqueza a relação amororosa e sexual das duas jovens lésbicas, sem ir mais longe como La Vie d`Adèle, por estar mais interessado em contar a dificuldade de se viver, nos anos 70, esse tipo de história de amor. Veja o trailer do filme, em inglês no site do Festival. 



Rui Martins está em Locarno, convidado pelo Festival Internacional de Cinema.



Ficha Técnica:

La Belle Saison. Diretora: Catherine Corsini. Intérpretes: Cécile de France , Izïa Higelin , Noémie Lvovsky , Kévin Azaïs, Laetitia Dosch , Benjamin Bellecour , Bruno Podalydès

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Tierra de lobos



Serie Lésbica exibida na Espanha, Tudo começa com a chegada dos irmãos Bravo a sua terra natal, um pequeno povoado espanhol. Parece que os rapazes são foragidos da polícia, da justiça, ou qualquer coisa semelhante, e dão de cara com o senhor carrancudo meio, chato, autoritário, que manda em quase tudo por ali. O coroa é viúvo e pai de quatro garotas, uma delas biscoita e guapisíma! Isabel é seu nome. Desde niña, Isabel é o que se costuma chamar de “a rebelde da família”. Há quem diga que a moça é o filho que o papai nunca teve. Curte armas, domina um cavalo mais lindamente que Athina Onassis, se mete nos labores masculinos da fazenda e manda às favas as caretices da época. Não curte muito uma maquiagem, não se preocupa muito com a beleza (e precisa?) e tem algumas crises depressivas, chegando, inclusive, a tentar o suicídio. Como naquela época ninguém devia pagar terapeuta para falar de suas angústias, nem havia chat lésbico para conhecer pessoas “diferentes”, a moça demorou para entender o que se passava na sua cabeça. Apelou à ala masculina, arriscando-se nos braços de algum rapaz hermoso. Mas ainda faltava alguma coisa. Seu negócio era outro. E essa descoberta nós vamos acompanhando no decorrer da temporada, porque inicialmente Isabel vai negar até a morte que curte garotas. Cuestión de tiempo.


Isabel tem três irmãs: Almudena, a “matriarca” da família; Nieves, a mais afoita, a mais ousada e a mais egoísta de todas; e por último Rosa, a caçula. É deficiente visual e a queridinha do papai. Chorou, papai aparece para acudir a garota. Por isso, as irmãs cuidam bem da pequena e sempre apelam à pirralha quando querem convencer o tenentão de algo.


Confesso que não acompanho os capítulos inteiros, por isso não sei os pormenores da trama. Meu interesse tem um foco especial (Isabel) e acho que vocês vão entender o motivo da obsessão depois que olharem as cenas de Isabel, interpretada pela catalã Adriana Torrebejano, de apenas 19 aninhos. Adriana é linda de morrer e sua personagem nos proporciona fortes emoções e muitas cenas tórridas ao lado de Cristina, uma bela prostituta do pueblo.


Isabel a conhece por acaso, quando sua irmã caçula se perde no meio de uma confusão e muita cacetada envolvendo moradores e militares. Desesperadas, as irmãs precisam escapar de serem presas e necessitam encontrar Rosa o mais rápido possível. Na correria, Isabel termina entrando num bordel e lá vê pela primeira vez a prostituta Cristina. A moça está, tipo assim, como veio ao mundo, refrescando-se num belo banho de meio de tarde. Como Isabel não consegue se mover tamanha a beleza diante de seus olhos, Cristina termina percebendo a presença da mulher.





Gente, é nessa hora que qualquer garotinha de época super certinha, virgem e careta pediria desculpas, retirando-se do recinto. Não com Isabel, que sempre foi um pouco “diferente”.




“juro que não sou lésbica, juro que não sou lésbica, juro que não sou lésbica”




"que deusa espanhola é essa? mas eu juro que não sou lésbica, juro que não sou....”


Cristina faz carinha de quem está gostando de ser “secada” e Isabel se retira, perturbada. Chegando em casa, a moça trata de tomar um banho, para ver se apaga o calor que sente por baixo das anáguas. Apela então para um flashback, lembrando-se de Cristina peladinha da silva. Se estivéssemos em 2011, Isabel instalaria uma webcam no banheiro de Cristina, mas na falta da tecnologia, apela à memória e às mãos bobas. Ô mãos danadas!




“não consigo parar de pensar naquela moça e agora eu me toco, mas não sou lésbica”


Mais tarde, Isabel conversa com sua irmã sobre o motivo de ser tão diferente. Diz que queria ser igual à sister e termina recebendo ajuda da mulherada da casa para se produzir como uma verdadeira lady do século XIX. Claro que essa paranoia de negação já já vai acabar.


Isabel vai às compras e encontra Cristina. As duas se esbarram, derrubando a cesta de frutas de Isabel no chão. A prostituta a come com os olhos e Isabel, sempre negando o calor por baixo das anáguas, a trata mal. Cristina pede desculpas com toda a humildade de uma sonsa, deixando a filha do Lobo atordoada, como sempre.




“desculpe-me, eu...eu só queria pôr a minha mão por baixo desse seu vestido”


Coincidentemente ou não, Cristina oferece alguns serviços íntimos ao pai de Isabel. O problema é que o velho é um grosso até na cama. Durante um encontro, ele mete a mão na cara da prostituta e a xinga. Cristina aparentemente fica arrasada.




“juro que me vingarei de você, seu velho impotente!”


Mas não há ninguém mais esperto no século XIX que uma prostituta vivida. Se na cama com o pai, Cristina é maltratada, com a filha, ela tem certeza que a coisa será diferente. Então sai à rua para perseguir a bela Isabel, que pergunta à Cristina o que ela quer. Ouve então a sábia resposta: “a mesma coisa que você”. Isabel finge que não entende, diz que não quer nada e Cristina trata de mostrar à inexperiente mocinha como seu coração bate forte por ela. É desejo puro.




“eu tô tocando no seu peito, mas eu não sou lésbica, entendeu? Não sou!”


Isabel consegue fugir da Cristina vestida, mas só pensa na moça despida. Então ela corre para se abrir com alguém. E esse alguém é o padre da cidade. No confessionário, ela finalmente conclui que nutre um sentimento um pouco atípico por uma mulher. O padre fica estarrecido, quer saber se as meninas se tocaram. Ela nega, mas, no fundo, sabe que só mãozinha no peitinho não faz uma biscoita feliz.




“padre, eu gosto é de mulher”


A rebelde Isabel tenta fugir de uns militares medonhos, e encontra abrigo onde mesmo? No bordel, claro. Onde mais uma donzela virgem e heterossexual, iria se esconder? Pois bem. Quem a salva de ser capturada é Cristina, sempre operante, e que por enquanto ainda se encontra vestida. E que bela forma de começar um jogo de sedução, minha gente! Cristina diz à Isabel que há uma maneira de se escapar dali: pela janela. Isabel comenta que não quer envolvê-la na confusão. “Tarde demais”, afirma Cristina, soltando um sorriso maroto. Ela beija Isabel que, de tão tonta, não consegue achar o caminho para fugir dali.




“eu te salvo agora, mas você terá que me explorar sexualmente, Isabel”.




“tô só experimentando, gente. Coisa da idade, é só uma fase...”


Mais tarde, Isabel vai agradecer à Cristina por tê-la ajudado. A prostituta pergunta se Isabel tem certeza que veio ali somente para dizer um “gracias”. Óbvio que não. Naquela altura, os cem quilos de roupa estão pegando fogo. Isabel quer alguém para ensiná-la o ABC da biscoitagem. Trata então de trancar a porta do quarto e de deixar que Cristina a conduza. Super profissional, Cristina detona. Vai logo tirando a roupa e seduzindo a moça, até acabarem na cama. Há tempos que a televisão não transmite algo tão sexy com mulheres tão absurdamente guapas. Eita Espanha querida!




“com uma mulher assim, até eu, que sou heterossexual, me converto”


O resto da cena é só amor.




agora digam se as espanholas não fazem bem!


Isabel não resiste mesmo aos prazeres da carne. Ela passa a noite ao lado de Cristina e acorda desnorteada de tanta felicidade. Mesmo se lembrando dos problemas familiares, a rebelde encontra forças para mais alguns minutos de amor. Pelo jeito, a noite de aprendiz fez com que Isabel acordasse praticamente uma profissional na cama. Também com uma doutora do sexo como Cristina fica difícil dormir no meio de uma aula…




Isabel, sua danada!




“agora estou convencida de que sou uma biscoita”


O problema é que no meio de tantos prazeres carnais, Isabel não se dá conta que está sendo observada por um cretininho chamado Sebastián, que irá chantageá-la até não poder mais. O cara que é o dinheiro do papito dela.

“hoje é o meu dia de sorte”


Temendo que o pai descubra o seu lado biscoito, Isabel chora compulsivamente. E começamos a odiar Sebastián até a morte.




“é muito sofrimento para uma lésbica de primeira viagem”


Cristina pede que Isabel se acalma, mas a moça morre de medo que seu pai saiba a verdade. Termina então cedendo às chantagens de Sebastián, mesmo alegando que sua família não possui tanto dinheiro quanto o jovem pensa. O rapaz pede 100 pesetas em troca do silêncio. Sem alternativa, Isabel termina roubando algumas economias do pai e entrega o dinheiro ao moço.




“pega a grana e me deixa transar em paz”


Aí vem a primeira grande bomba da série: Cristina e Sebastián, na verdade, são comparsas nesse jogo de sedução. Buscando vingar-se do pai de Isabel, a prostituta decidiu usar a filha do velho. O problema é que Cristina não imaginava que iria sentir algo mais forte por Isabel. Por causa disso, não aceita dividir o dinheiro da chantagem com Sebastián, que insiste que ainda não é hora de abrir mão da vingança. Cristina parece irredutível.




“você é muito facinha, Cristina”.


Enquanto Cristina se arrepende sua vingança e Isabel inocentemente tenta se livrar de Sebastián pensando que o rapaz age sozinho, o capitão Ugarte toca o terror no povoado onde vivem nossas belas chicas. Ele quer pôr fogo na cidade toda. E o bordel é um dos lugares que não escapará dos excessos do capitão, apesar de as prostitutas acreditarem que os militares não têm nada contra elas. Isabel entra esbaforida no bordel e tenta arrastar Cristina para fora dali. A mulher se nega a acompanhá-la. Diante da insistência de Isabel, Cristina termina confessando sobre seu complô e diz estar arrependida. Ela confessa que era amante do pai de Isabel e que depois de levar umas tabefes do velho decidiu armar uma para cima do Lobo. Decepcionada e cheia de raiva, Isabel mete um tapa na cara de Cristina. A prostituta pede perdão, mas a moça é cruel com as palavras também: “você nunca deveria se esquecer de que é uma puta”. E se retira.




“nunca deveria se esquecer de que é uma puta”


Isabel diz a Sebastián que já sabe de tudo. O rapaz conta que Cristina se apaixonou e, sarcasticamente, comenta que ele e a “zorra” riram muito à custa de Isabel. A moça não aguenta tanta provocação e explode. Termina quebrando a cara do rapaz de porrada, com direito a chicotadas e tudo. Na cara que Isabel foi treinada pelo BOPE, né?




“chantageador bom....




...é chantageador morto”


Enquanto isso, os militares conseguem entrar no bordel e matam um das prostitutas. Cristina não consegue fugir a tempo e é ameaçada. Mas eis que a loba de elite aparece para salvá-la.




“hola, guapa"




“sim, eu fui treinada pelo BOPE”


Isso é que é mulher. Com ou sem anáguas, tá para existir donzela mais linda e braba feito essa.


Nos próximos capítulos parecem que guardam algumas surpresas paras as fãs. As moças são flagradas pelo pai de Isabel fazendo sexo selvagem. Irado, ele se diz nojento com a filha e manda “matar” Cristina. As aspas são para indicar que tudo não passa de um grande mentirinha. É o que se comenta por aí. Vamos torcer…

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

AZUL É A COR MAIS QUENTE



ESSA POSTAGEM É PARA A MINHA NAMORADA KELY QUE AMOU ESSE FILME.



Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma garota de 15 anos que descobre, na cor azul dos cabelos de Emma (Léa Seydoux), sua primeira paixão por outra mulher. Sem poder revelar a ninguém seus desejos, ela se entrega por completo a este amor secreto, enquanto trava uma guerra com sua família e com a moral vigente. (Adoro Cinema) 





Azul é a Cor Mais Quente fez história no Festival de Cannes: pela primeira vez, a Palma de Ouro – prêmio máximo concebido pelo evento -, foi oficialmente destinada a outras pessoas além do diretor. No caso, o júri presidido por Steven Spielberg entregou a distinção também às atrizes Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux. Uma exceção justa e coerente para este filme cujos maiores méritos se concentram exatamente nessas três figuras que compreenderam plenamente a preciosidade de uma história extremamente fiel à vida, com suas dores e alegrias. Ao longo de três horas, o diretor Abdellatif Kechiche faz justamente isso: conduz as duas atrizes por momentos totalmente de acordo com a realidade, extraindo ainda momentos singulares de cada uma delas. 


O título original, A Vida de Adèle (em uma tradução literal), apesar de genérico, diz muito mais sobre o filme. Isso porque Azul é a Cor Mais Quente acompanha diversos momentos da vida de Adèle (Exarchopoulos), da sua juventude heterossexual no colégio a sua vivência como uma professora adulta que cultiva um relacionamento com uma mulher. No meio disso tudo, as pequenas e grandes descobertas, o primeiro amor, a auto-aceitação, a construção de uma vida a dois, os erros e os acertos… É, literalmente, a vida de Adèle, contada inteiramente a partir do ponto de vista da protagonista. Desta forma, a ambiciosa duração – que é sentida mas nunca um empecilho – se revela completamente condizente com a proposta do diretor: ela é essencial para que cada momento tenha a profundidade e o impacto necessários, como se vivêssemos tudo aquilo pela primeira vez junto com Adèle. 


Ou seja, Azul é a Cor Mais Quente não se utiliza de quase três horas de duração somente para narrar o maior número de fatos possíveis, mas sim para dar a devida emoção e verossimilhança a eles. Isso nos leva às tais “polêmicas” cenas de sexo, que só são chamadas assim por aqueles que não compreendem que toda a nudez e a longa duração de cada uma delas vai ao encontro dessa proposta do diretor de fazer com que o espectador acompanhe tudo com a mesma dose de surpresa e novidade que a protagonista. E esse compromisso com a vida real também se reflete, claro, no trabalho das duas atrizes, em especial no da extraordinária Adèle Exarchopoulos, a grande revelação do ano. No cinema desde 2007, quando debutou em Boxes, ao lado de Geraldine Chaplin, Adèle alcança aqui uma merecida visibilidade. É limitado resumir sua atuação à grande entrega física com Léa Seydoux, já que sua precisa interpretação acompanha todas as fases da personagem sem qualquer hesitação. É, enfim, um nome para acompanhar. 


A sensação que se tem ao final de Azul é a Cor Mais Quente é que passamos por um turbilhão de acontecimentos, mas a verdade é que a intensidade que sentimos é muito mais em função da imersão proporcionada pelo roteiro de Abdellatif Kechiche e Ghalia Lacroix, baseado na HQ Le Bleu est Une Couleur Chaude. Por estarmos tão próximos de Adèle, sentimos cada uma de suas dúvidas e angústias. O que também merece ser ressaltado é que o longa está muito longe de qualquer pretensão. Em Azul é a Cor Mais Quente não existe uma insistência em metáforas ou uma vontade de trazer grandes complexidades a cada uma das situações propostas por Kechiche. E isso é muito positivo, pois, desta forma, o filme se torna muito mais natural e sem constantes rimas visuais ou de roteiro – ao contrário do que o título brasileiro implica no nosso inconsciente: a vontade de procurar azul em todas as cenas e dar significados a isso. 


Favorito para ganhar todos os prêmios de filme estrangeiro da temporada (menos o Oscar, já que não foi lançado nas salas francesas no prazo exigido pela Academia para torná-lo elegível na categoria de melhor filme estrangeiro), Azul é a Cor Mais Quente se revela ainda mais sincero até mesmo nas suas curiosidades extra-filme: no set, por exemplo, Adèle e Léa não tinham maquiadoras ou cabeleireiras, apresentando-se frente às câmeras com aquilo que elas realmente são fisicamente. São esses detalhes valiosos que estabelecem o longa de Kechiche como um dos relatos mais coerentes com a vida que vimos nos últimos anos. É provável que se estenda desnecessariamente no final (a história poderia ter acabado perfeitamente na cena da cafeteria, sem a sequência da exposição), mas é pouco perto de um filme que lida muito bem com a questão da homossexualidade e das angústias e expectativas humanas. Crescer acontece mais rápido do que a gente imagina, diz Emma (Seydoux) em certo ponto. Adèle aprenderá isso. E nós, se ainda não chegamos a esse estágio, teremos esse mesmo aprendizado com a sua jornada.

Tenho uma namorada, sou gay há alguns anos”, diz ginasta Lais Souza

Um acidente de ski a deixou tetraplégica em janeiro de 2014, mas Lais segue derrubando barreiras. Falando sinceramente de sua sexualidade em entrevista, ela entra para uma lista, ainda curta, de personalidades brasileiras assumidas


Em entrevista recente à jornalista Milly Lacombe para a revista “TPM”, a ginasta Lais Souza, que ficou tetraplégica depois de um acidente de ski em janeiro de 2014, disse: “Eu tenho uma namorada, sou gay há alguns anos. Já tive uns namorados, mas hoje estou gay.”
Lais engrossa uma lista que vai ficando cada vez mais longa, a das celebridades assumidas, que ganhou vários adeptos nos últimos tempos. No Brasil, essa lista cresce numa velocidade bem menor do que, por exemplo, nos Estados Unidos, onde tem gays no exército, na política, gays na música, a apresentadora mais popular da TV é lésbica, atores gays se casam em cerimônias românticas e são fotografados com marido e filhos, atletas gays estão em posição de destaque em esportes coletivos e individuais.

Lais Souza está se recuperando de acidente de ski sofrido em janeiro do ano passado

Lais Souza está se recuperando de acidente de ski sofrido em janeiro do ano passado

Isso tudo é muito novo, e mostra que mudanças estão em pleno curso. O iGay publicou levantamento divulgado pela revista americana “Advocate” que mostra personalidades gays americanas que morreram no armário. Na lista estão os atores Rock Hudson (morto em 1985), Anthony Perkins (1992), o pianista Liberace (1987) e o ex-prefeito de Nova York Ed Koch (2013). Por um motivo ou por outros, eles nunca se assumiram.
O caso mais notável é o de Liberace. Ele era o rei das plumas e paetês, nada poderia ser mais gay do que o seu piano coberto de espelhos, seus ternos bordados de dourado, sua maquiagem, seus casacos de pele que se abriam como um leque – e , claro, seu namorado. Mas fez de tudo para permanecer no armário, tendo inclusive processado veículos da imprensa que afirmaram que ele era gay. Morreu em decorrência da Aids em 1987.
Milly Lacombe, lésbica assumida, que vive atualmente em Nova York, pensou numa situação fictícia. “Vamos supor que, num belo dia, hipoteticamente falando, uma nuvem de moralidade e sinceridade baixasse sobre todos os seres humanos do planeta e, nesse histórico dia, todos os gays saíssem do armário: celebridades, políticos, jogadores de futebol, artistas. Dado o número de gente que ia dizer ‘eu sou gay’, é de se supor que no dia seguinte o preconceito tivesse morrido ou sido reduzido a uma coisa bem pequena porque todos teriam um irmão, um grande amigo, um ídolo que teria se assumido gay”, devaneia ela. “Não se assumir é, em alguma escala, sentir vergonha de si mesmo, e esse recado é o pior de todos.”
No Brasil, no que se refere a gays assumidos, temos vários exércitos de um homem só. O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), colunista do iGay, é o único político assumidamente gay eleito no Brasil. O escritor e diplomata Alexandre Vidal Porto, que já serviu cinco embaixadas brasileiras pelo mundo, é um dos raros membro do Itamaraty que vivem sua homossexualidade à luz do dia, e o único que toma uma posição pública de defesa dos direitos dos homossexuais.
“Há outros diplomatas tão gays quanto eu, ou mais, mas eu resolvi tomar uma atitude mais política em relação à minha homossexualidade. Acho importante que existam modelos para que as pessoas que vêm depois da gente entendam que a homossexualidade faz parte da natureza humana e que não tem nada de limitante e redutor em assumir”, disse ele. “Assumi publicamente para que as pessoas mais jovens da carreira diplomática entendam que você pode ser um diplomata competente, responsável, respeitado e homossexual.”
ONDE ESTÃO OS ARTISTAS GAYS BRASILEIROS?
No campo das artes, onde as pessoas são teoricamente mais abertas, os casos de homossexuais dispostos a tomar posição ainda são poucos. Muitas das cantoras brasileiras são lésbicas, mas a absoluta maioria prefere não falar do assunto. Com exceção de Adriana Calcanhotto, que era casada com a cineasta Susana de Moraes (1940-2015), de Cássia Eller (1962-2001), que nunca escondeu nenhum aspecto da sua vida de ninguém, de Leci Brandão, que foi a primeira a se assumir, de Daniela Mercury, que orquestrou a apresentação de sua mulher ao público com fotos e declarações de amor nas redes sociais, e de Ângela Ro Ro, muitas outras seguem na sombra.
"A ÚNICA CANTORA LÉSBICA"
Ângela Ro Ro, em cena dos anos 80/90 que foi incluída no filme-documentário “Cássia Eller”, brincava em seus shows: “Vocês já sabem: eu sou a única cantora lésbica da MPB”. Até Ana Carolina, musa das lésbicas românticas, foi discreta ao declarar em entrevista para a “Veja” em 2005: “Sou bi, e daí?”. A cantora Preta Gil, que já afirmou ser bissexual, brincou com a afirmação da amiga: “Se a Ana Carolina for bi, eu sou penta!”
Milly Lacombe sabe, por percepção e experiência, que se “a gente trata com naturalidade, o mundo tende a ver com naturalidade”. “Não quero sugerir que a pessoa chame uma coletiva para dizer ‘eu sou gay’, mas tratar com naturalidade, ser quem é também em ambiente público e não se esconder já ajudaria muito”, diz ela. “Mesmo quem tem um pouco de coragem para se assumir, na hora H diz: eu sou bi, o que talvez seja um caminho, e é certamente melhor do que nada, mas a verdade é que muitas dessas pessoas são apenas gay, tipo um 6 (o número máximo) na escala Kinsey, e não exatamente bi…

domingo, 1 de fevereiro de 2015

PAOLLA OLIVEIRA VIVE A PROSTITUTA LÉSBICA

DENISE EM 'FELIZES PARA SEMPRE', SÉRIE DA TV GLOBO







Paolla Oliveira, dará vida a Dani Bond, uma acompanhante de luxo que vive um romance lésbico. A atriz surgirá de cabelos curtos na produção. Caberá a Martha Nowill, com carreira conhecida no teatro, interpretar a namorada de Paolla na ficção.
O quinto episódio de Felizes para Sempre? promete! Denise (Paolla Oliveira) revela para uma amiga que está cada vez mais envolvida com Marília (Maria Fernanda Cândido). “Essa tal Marília mexeu comigo mesmo”, confessa. 

terça-feira, 3 de junho de 2014

Filme sensual sobre o amor entre duas mulheres surpreende Cannes






Depois de nove dias de competição, o Festival de Cannes foi surpreendido nesta quinta-feira (23) pelo poderoso e sensual "La vie d'Adele", do franco-tunisiano Abdellatif Kechiche, que narra o despertar sexual e a paixão de uma adolescente por uma jovem de cabelos azuis.
Adaptado livremente de uma HQ escrita por Julie Maroh, o filme tem as cenas sexuais mais gráficas e apaixonadas entre duas mulheres já vistas em Cannes.
O filme, que disputa a Palma de Ouro, pode render o prêmio de melhor atriz para a jovem Adéle Exarchopoulos, excepcional no papel de uma estudante de 15 anos que descobre a paixão e o desejo quando conhece Emma, interpretada por Lèa Seydoux.
A história entre as duas mulheres e, sobretudo, o magnífico retrato da jovem protagonista, Adèle, e a interpretação de Seydoux colocam o filme entre os favoritos para os prêmios, que serão anunciados no domingo pelo júri presidido por Steven Spielberg.
Kechiche disse que não teve medo de retratar o amor entre duas mulheres, mas o que impactou e conquistou a crítica foi o retrato psicológico e emocional das protagonistas. Rodado em Lille, norte da França, o drama já teve os direitos vendidos para um distribuidor americano, apesar das três horas de duração.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Entre Elas Filme Lesbico




Christine trabalha como criada na casa da rígida madame Danzard. Criada para ser freira, Christine sabe bordar, cozinhar e trabalha sem receber muito. Quando sua irmã Lea passa a trabalhar ao seu lado, a madame Danzard acreditou que estava levando vantagem, pois as duas trabalhavam bem e ocupavam pouco espaço, dormindo no mesmo quarto.

E quando digo que madame Danzard é rígida não é apenas um adjetivo para explicar sua exigência. Ela é do tipo que vasculha diariamente a casa com uma luva branca, passando a mão pelos móveis e objetos. Tudo para verificar se está tudo devidamente limpo.

O foco principal do filme, entretando, é a provocante relação entre as irmãs. Ambas foram criadas num convento e a personalidade forte e tempestuosa de Christine cria um domínio com a fragilidade de Lea, cinco anos mais nova. Com o passar do tempo, as duas passam a desenvolver um comportamento cada vez mais forte e incontrolável.
Baseado numa história real, "Entre elas..." é um drama sombrio. A trama se passa na França, por volta de 1930, época que trabalhar como criada exigia, antes de mais nada, submissão. Assim, pequenas atitudes eram consideradas ultraje e desrespeito. Logo no início fica evidente o trágico final, com uma longa cena que mostra a casa ensangüentada.
Filme polêmico, que trata de homossexualismo incestuoso numa sociedade ainda mais intolerante que a de hoje. Destaque para o impactante final e para a complexa personagem Christine, cujo passado é provocador e herege. Cotação do Dai: ***1/2
Obs: Nesse filme não há a presença de nenhum homem. Numa das cenas, que deveria aparecer um rapaz, ele não é focalizado pelas câmeras, ficando apenas a voz.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O Uivo da Gaita com Mariana Ximenez e Leandra Leal



As atrizes globais Mariana Ximenes e Leandra Leal interpretam duas amantes no longa O Uivo da Gaita, do diretor Bruno Safadi, ainda sem data de lançamento no circuito comercial.

Bruno divertiu uma plateia de jornalistas neste domingo (11), no Festival de Gramado, ao falar sobre seu novo filme, “O Uivo da Gaita”, que, segundo ele, é bastante experimental. “O filme tem apenas dois diálogos, mas é um filme de amor entre suas mulheres lindas, a Mariana Ximenes e a Leandra Leal. É experimental, mas todo mundo quer ver. Quem não quer ver coisas boas como essa?”, disse ele. “É um filme que pode dar o que falar”.

‘Flores raras’




Depois de ter sido bem recebido pela crítica em festivais de cinema pelo mundo, “Flores raras”, novo trabalho do diretor brasileiro Bruno Barreto (“Dona Flor e seus dois maridos” e “O que é isso, companheiro?”), estreou neste final de semana em mais de 150 salas de cinema em todo o Brasil.

O filme retrata o romance real entre a poetisa norte-americana Elizabeth Bishop (Miranda Otto) e a arquiteta e paisagista brasileira Lota Macedo de Soares (Glória Pires) e tem roteiro inspirado no livro “Flores raras e banalíssimas”, de Carmen Lucia Oliveira.




História conturbada

O longa-metragem inicia com a chegada de Elizabeth ao Brasil, onde desembarcou de um navio em 1951, no porto de Santos, aparentemente disposta a aplacar uma crise existencial e criativa por que passava. A convite da amiga americana Mary Moser (Tracy Middendorf) – até então namorada de Lota –, a escritora deixou Nova York para passar duas semanas no sítio Samambaia, em Petrópolis (RJ). Essa temporada, no entanto, iria durar 17 anos – tempo que a escritora viveu no Brasil.

Logo nos primeiros minutos do filme, um triângulo amoroso parece a se desenhar quando Bishop começa a se envolver com a brasileira. Mas o filme se apressa para tirar a ex de cena e parte para o envolvimento de Bishop e Lota. A corrida para contar o relacionamento que inspirou o filme, porém, acaba dando superficialidade ao romance, levando até o público a não acreditar na veracidade do relacionamento entre as protagonistas. É preciso de muitas cenas depois para provar que é real.




Além de retratar o envolvimento complicado e as perdas pessoais das duas, “Flores raras” faz uma breve biografia do trabalho da dupla. A trama tem como pano de fundo as paisagens da cidade do Rio de Janeiro e Petrópolis, cenários que inspiraram profundamente o trabalho de Elizabeth Bishop. Foi no Brasil que ela concluiu o livro “Norte e Sul”, pelo qual ganhou o prêmio Pulitzer de literatura.

O filme faz também registro interessante da história por trás da construção do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro, um dos principais trabalhos da arquiteta Lota de Macedo.




Amor e poesia

Mas o longa conta essencialmente a história de uma relacionamento entre duas pessoas com personalidade opostas: Bishop, frágil e tímida, e Lota, confiante e autoritária. Para dar ainda mais ênfase à diferença das duas, o filme recorre até a cenas de choque cultural e ideológico entre as artistas, chegando também a fazer uso de muitos clichês brasileiros no exterior.

“Flores raras” é sobretudo um filme sobre amor, do tipo intenso e conturbado, recheado por bossa nova, poesia e um tanto de tragédia.

História pessoal

O diretor Bruno Barreto começou a desenhar o projeto do filme “Flores raras” há 17 anos, quando a produtora Lucy Barreto comprou os direitos de adaptação do livro “Flores raras e banalíssimas”, de Carmen Lucia de Oliveira. Mas decidiu tirar do papel quando se separou da esposa, que era fã da história.

sábado, 14 de setembro de 2013

Preconceito Inaceitável ESTUPRO CORRETIVO


Estupro Corretivo: Violência física e psicológica.

Parem o ‘estupro corretivo'!

vitima estupro corretivo
"O estupro corretivo”, a prática cruel de estuprar lésbicas para "curar” sua homossexualidade, está se tornando uma crise na África do Sul. Porém, ativistas corajosas estão apelando ao mundo para pôr fim a estes crimes monstruosos. O governo sul africando finalmente está respondendo - vamos apoiá-las.  Millicent Gaika foi atada, estrangulada, torturada e estuprada durante 5 horas por um homem que dizia estar "curando-a” do lesbianismo. Por pouco não sobrevive. Infelizmente Millicent não é a única, este crime horrendo é recorrente na África do Sul, onde lésbicas vivem aterrorizadas com ameaças de ataques. O mais triste é que jamais alguém foi condenado por "estupro corretivo”.


É incrível como em nome da tradição e dos bons costumes são cometidos crimes terríveis contra mulheres e LGBTs, para ver como o conservadorismo tacanho acaba por prevalecer também como um acinte aos direitos humanos.

isso viola os direitos humanos
essa posrtagem foi motivada por um comentário que recebi nesse blog. abaixo o nome do IDIOTA.
magno
Sapatão puta ,bando de putas encalhadas mal comidas ,vai toma no cu encalhada,lésbica nojenta aberração ,um bom estupro corretivo e uma surra em vc seriam ideais ,vão merda vcs e essas 2 putas lésbicas e a macho sem pinto da Thammy otária. 


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Thammy Miranda é pedida em casamento pela namorada no palco de Eliana



Thammy Miranda foi surpreendida pela namorada, Nilceia Oliveira, ao gravar o quadro "Rede da Fama", do programa "Eliana", no SBT. A atriz, que agora é repórter no programa "Famoso Quem?", que estreia no próximo dia 14, foi pedida em casamento durante a atração.



A declaração começou com um vídeo gravado em que Nilceia externa ao público do dominical seu amor e com as palavras deixa Thammy emocionada no palco. Em seguida ela entrou no cenário logo depois, segurando um buquê de flores, para realizar o pedido de casamento oficialmente, olhando para a namorada.


A repórter acaba de completar 31 anos e está cheia de motivos para comemorar, tanto na vida profissional como na pessoal. Para tal ela ganhou uma festa de aniversário em uma boate de São Paulo com direito a bolo e tudo. Mas, antes, ela ganhou um "bom dia" especial da noiva com um vídeo no Instagram.

Contratada há poucas semanas da emissora do patrão ela está passando pelos programas da casa para divulgar o "Famoso Quem?". O programa vai escolher o menor cover do país. O último trabalho da filha de Gretchen foi na novela "Salve Jorge", de Gloria Perez, na TV Globo.